O impacto do El Niño de 2024 na região sul do Brasil foi catastrófico, marcado por chuvas históricas e enchentes devastadoras, especialmente no Rio Grande do Sul. O fenômeno intensificou frentes frias, chuvas, ventos e o transporte de umidade, resultando em cheias sem precedentes que afetaram toda a região sul. O desastre resultou em dezenas de mortes, além de centenas de milhares de desabrigados, afetando mais da metade da população gaúcha. Além das perdas humanas, o desastre natural comprometeu severamente a infraestrutura urbana e rural, os meios de transporte e o funcionamento de hospitais, escolas, empresas, aeroportos, serviços públicos e inúmeras outras organizações.
Modelos climáticos internacionais vêm indicando a possibilidade de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026. Independentemente da intensidade que o fenômeno venha a atingir, os eventos extremos registrados nos últimos anos reforçam a necessidade de organizações públicas e privadas conhecerem suas vulnerabilidades e planejarem ações preventivas.
Diante desse cenário as organizações devem agir antes que o evento aconteça e cause danos pessoais e materiais, pois a ação preventiva custa muito menos que a recuperação e a reconstrução, proporciona a adoção de medidas mitigatórias para a continuidade operacional, qualquer que seja a finalidade da organização, para a preservação do patrimônio (equipamentos, edificações, insumos) e, acima de tudo, para a segurança das pessoas.
Em instalações industriais, aeroportos, hospitais, escolas, pavilhões e outros complexos corporativos, as maiores vulnerabilidades costumam estar associadas à localização da planta, às características do terreno e às condições do entorno. Edificações com maiores vulnerabilidade são aquelas instaladas próximas a declives muito inclinados, com pouca cobertura vegetal, com grande instabilidade física local, em locais próximos a arroios, rios, canais, represas, lagos, nascentes, minas de água ou em solos saturados.
As edificações e instalações podem ser afetadas pela própria topografia do terreno, a sua geometria, os materiais de construção usados bem como seu sistema estrutural e pela própria vizinhança.
As vulnerabilidades podem ser agrupadas em três categorias principais: naturais, construtivas e operacionais. As vulnerabilidades naturais estão relacionadas, por exemplo, à topografia, à geologia, à proximidade de cursos d’água e às características do solo. As construtivas abrangem fundações, estruturas, sistemas de drenagem, coberturas e demais elementos da edificação. Já as vulnerabilidades operacionais envolvem aspectos como fornecimento de energia, acessibilidade, equipamentos críticos, comunicação, logística e continuidade das atividades.
A principal função de uma inspeção técnica de engenharia e arquitetura voltada para a mitigação de efeitos de eventos climáticos extremos é avaliar as principais vulnerabilidades e riscos de uma edificação ou de uma planta inteira em caso de ocorrência de grandes volumes de chuva e ventos intensos, permitindo assim fazer um diagnóstico que possa orientar na sequência duas ações extremamente importantes: a elaboração de um plano de prevenção e mitigação de danos (proteção passiva) além da preparação de um plano de emergência e evacuação (proteção ativa).
Mais do que identificar problemas existentes, uma inspeção técnica voltada à resiliência climática busca identificar antecipadamente vulnerabilidades e riscos que podem comprometer a segurança das pessoas, a integridade das edificações e a continuidade das operações. Também deve avaliar quais sistemas são essenciais para manter a operação da organização em situações críticas, identificando redundâncias, vulnerabilidades e prioridades para recuperação. Visa não só a gestão de risco, mas a continuidade operacional.
A inspeção deve abordar, no mínimo, os aspectos macro do local e do entorno da instalação, topografia, do clima preponderante e de sistemas de captação e drenagem, fundações, estruturas, coberturas e telhados, fachadas, redes de instalações e utilidades, equipamentos críticos, proteções e contenções, bacias de detenção e contenção, ruas e acessos, bem como rotas de fuga e acessos alternativos.
Porém, não basta que seja feita a inspeção técnica de engenharia e arquitetura para tais eventos, pois é preciso elaborar o plano de prevenção e de mitigação. A importância desse modelo de plano é que visa salvar vidas e propiciar os benefícios econômicos da prevenção de danos materiais e da perda de geração de receitas.
Mais do que uma possibilidade remota, os eventos climáticos extremos passaram a integrar o conjunto de riscos que precisam ser considerados na gestão das organizações. Conhecer as vulnerabilidades das edificações, instalações e infraestrutura física é o primeiro passo para proteger pessoas, preservar ativos e garantir a continuidade das operações.
A prevenção sempre representa um investimento significativamente menor do que os custos humanos, operacionais e financeiros decorrentes desse tipo de desastre natural.
Nesse contexto, a PROCONGER atua com sua equipe multidisciplinar na realização de inspeções técnicas, diagnósticos de engenharia e arquitetura e elaboração de planos de mitigação para edificações e instalações corporativas, apoiando organizações na identificação de vulnerabilidades e na adoção de medidas preventivas voltadas à segurança patrimonial e à continuidade operacional.